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  • Wander B.

ARTE E ARTISTAS NA PANDEMIA, CONTRADIÇÕES

Entre nós, artistas, há quem esteja olhando para a pandemia com olhos de vanguarda: artistas que estão criando novas linguagens a partir do isolamento.


Eu admiro esses artistas, de verdade.

E conheço alguns que sairão da crise ainda maiores - que assim seja, evoé!


Mas precisamos lembrar: a maioria esmagadora dos artistas brasileiros olha para esse momento com olhos de desespero.

São outros olhos, entendem?

São os olhos de quem está sobrevivendo com doações, olhos de quem já não sabe como pagar as contas básicas como aluguel, luz e água, brasileiros e brasileiras que são, antes de serem artistas, cidadãos de um país em profunda crise política diante de uma pandemia global.

Eu? Tenho feito artes. Muitas.

E é possível que alguma coisa até surja com algum frescor, com inventividade: sou artista! Mas não tenho na minha face os olhos de vanguarda.

Em 2020? Durante uma pandemia? Não.

Essa é a realidade.

É preciso que os artistas que têm o privilégio de olhar para o mundo com os tais olhos de vanguarda respeitem aqueles que não vivem uma situação que possibilite isso.

É preciso lembrar que a maior parte dos artistas vivem uma vida humilde, são pessoas simples, sujeitas aos mesmos problemas que todos os outros profissionais.

A glamourização do nosso ofício, a transformação da arte em subproduto da mídia, a produção em massa de celebridades, tudo isso fez da nossa profissão uma espécie de miragem: as pessoas de longe pensam que tudo sempre é bonito, palmeiras verdes que tremulam ao lado de um lindo lago com água fresca... Mesmo quando tudo é deserto. Precisamos desfazer esse imaginário.

Os artistas com olhos de vanguarda podem (deveriam) colaborar com isso.

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