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  • Wander B.

AS RUAS CHEIAS DO BRASIL DOENTE

Atualizado: Jun 14

A gente sabia que não vivia em nenhum paraíso, que a coisa tinha tomado contornos sinistros nos últimos anos, que as chagas todas do Brasil triste e profundo estavam expostas...


E veio a pandemia. E a pandemia veio.


E aí é barbárie mesmo. Não tem outro nome.


Uma pessoa morre por minuto.


Não temos leitos pra acomodar todos. Não temos respiradores pra atender todos.


E as pessoas que têm a chance de ficar em casa e respeitar o isolamento furando isso por todos os motivos: shopping, festinha, barzinho, dates, manifestação.


E infelizmente eu coloco, sim, manifestação no pacote das irresponsabilidades: não vou aliviar, infelizmente, não tem como aliviar.


Se você teve o privilégio de fazer home office, estudo a distância, e sai pra se expor ao vírus, você vai contaminar outras pessoas, vai alongar a crise, vai ocupar um leito que deveria estar livre para atender quem não teve o direito de poder ficar em casa.


É evidente que os motivos que levam uma pessoa a uma manifestação são diferentes dos motivos que levam uma pessoa ao shopping.


Mas não estou falando de causa, estou falando de consequência: a consequência é espalhar o vírus e ocupar leitos que deveriam ser destinados a quem não teve o privilégio de ficar em casa.


Vai postar a foto dos trabalhadores no metrô pra justificar a sua saída? É sério?


Erro lógico: essas pessoas não tiveram a possibilidade de ficar em casa, infelizmente.

Você teve? Sim? Fique em casa.

Você quer ajudá-las esticando a crise?

Ocupando o leito que as atenderia?

Numa boa, volte pras suas panelas nas janelas.


Repito. Se você teve a chance de ficar em casa: você deve ficar em casa.


Fique em casa.


Não prejudique mais ainda a vida de quem não teve essa chance.


Pontuações:


Crise do ponto de vista humanista.

É política? Opa.

Mas é sociologia e psicologia também.

E educação.

E cultura.


Um projeto de embrutecimento de uma nação de 200 milhões de pessoas que funcionou.


Está aí o resultado.


Peço aos meus leitores que entendam, esse é um texto mais incisivo do que os que costumo escrever...


Mas o desrespeito chegou em um lugar que é difícil medir palavras.


As pessoas amontoadas nos shoppings no segundo país mais afetado pela pandemia é uma imagem de uma brutalidade assombrosa.


Repito algo que venho dizendo desde o começo:


As pessoas que estão desrespeitando esse momento carregarão consigo o peso da morte de outras pessoas - se sobreviverem, evidentemente.


Ainda dá tempo de evitar esse peso nas suas costas.


Fique em casa.

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