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  • Wander B.

MAIS SOBRE OS TAIS EDITAIS DE EMERGÊNCIA

Artista que confessa que não precisa do dinheiro, mas se inscreve em edital de emergência e fica com o dinheiro que alimentaria a família de um colega que passa fome não tem moral pra falar da Regina Duarte.


A cegueira é a mesma, a falta de empatia é a mesma, a falta de percepção é a mesma, afinal, estamos falando de um dinheiro que é pequeno pra quem não precisa, mas salvaria vidas se chegasse no destino justo.


Salvaria vidas.


Vou até repetir outra vez: esse dinheiro que você não precisa salvaria vidas.


É sobre o valor de uma vida essa discussão, não é sobre arte, sobre valor estético...

Quem não entende isso, infelizmente, se aproxima muito do discurso da secretária de cultura que diz que pessoas morrem todo dia, que isso faz parte da vida.


E não me venha com discurso de mérito, o mais vergonhoso argumento que alguém pode usar em um país como o Brasil.


Todo mundo aqui rala, se você sempre ralou e não passa necessidade hoje, deixa o EDITAL EMERGENCIAL pra quem também sempre ralou e está sem nada na geladeira.


Será que é tão difícil entender isso?


Será que os artistas que estão passando necessidade precisam ser chamados de recalcados e invejosos?


É isso mesmo?


Em plena pandemia, um artista desempregado e sem ter como sobreviver precisa ser chamado de invejoso por artista do mainstream?


É sério isso?


Mais uma vez, não vou citar nomes - até porque seria doloroso de tão triste.

Mas reafirmo, lamentando profundamente: o problema desse país não pode ser reduzido ao maniqueísmo barato, em que de um lado temos fascistas abomináveis e do outro lado pôneis alados e ursinhos carinhosos que lacram em nome do bem comum.


Não, infelizmente esse não é o nosso país.


O problema aqui é estrutural e profundo.


E os discursos equivocados não saem infelizmente só das bocas da direita.

A esquerda precisa se situar também.


Esse texto aqui não pede cancelamento: sou contra a cultura do cancelamento.

Mas é preciso colocar em palavras as contradições que estamos vendo e vivendo.

É preciso buscar por um espaço mais amplo de reflexão.


E também olhar pra coisas muito básicas que esquecemos de olhar: pessoas erram, artistas são pessoas, artistas erram. Eis uma formulação básica de argumento para deixar bem evidente o que eu sinto diante do que está posto.


Mas quando a gente erra, precisa descer do pedestal, perceber que errou, se desculpar com quem foi prejudicado e reparar o erro, se for possível.


Eu acredito nisso. Muito.


E eu torço muito para que as fichas caiam o quanto antes.


São artistas amados pelo Brasil.

São artistas amados por nós, artistas de fora do mainstream.


Ninguém aqui tá com inveja da carreira brilhante de ninguém, os editais são nomeados com letras garrafais: EDITAIS DE EMERGÊNCIA.


Qual o significado da palavra emergência?


Será que desaprendemos o significado da palavra emergência?


Ou será que, assim como o presidente, tem mais gente assinando papel sem ler?


São contradições. São contradições terríveis.

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