Buscar
  • Wander B.

QUEM ESTÁ FAZENDO O TRABALHO DE BASE?

Saiu hoje no El País um texto muito interessante sobre a popularidade da Ministra Damares entre os mais pobres.


Indico a leitura.


É o melhor texto sobre o tema que li até agora.


O texto de Felipe Betim dá a devida atenção ao fenômeno em sua complexidade - pois é: não adianta sair criticando as igrejas evangélicas (e também a católica), generalizando de forma desrespeitosa, sem nunca passar pelos espaços mais carentes da sociedade onde o Estado não chega, mas as lideranças cristãs sim.


É importante entender que a igreja está agindo onde o Estado não chega - e onde o setor privado também não se interessa em chegar, é importante pontuar isso para quem pensa a política de forma mais liberal, com pouca presença do Estado.


As mazelas do nosso país não são poucas.


E algumas pautas estão totalmente abandonadas.


Vou citar alguns exemplos:


Pessoas em situação de rua.

Quem oferece apoio? Pois bem, eu digo quem: quem mais atua oferecendo apoio são instituições cristãs.


Refugiados.

Quem atende? Instituições cristãs.


Dependentes químicos.

Cadê a política pública forte pra oferecer apoio aos dependentes químicos? Não tem. Quem vai lá oferecer ajuda são as igrejas.


Ressocialização de pessoas que cometeram crimes e já cumpriram pena.

Quem atua com força? Igreja, gente.


Enquanto a gente não entender isso, fica difícil.


Ficar chamando todo mundo de fascista é muito fácil, entender as demandas da população brasileira é difícil.


Defender o Estado laico é nossa obrigação: o Estado laico é uma garantia da nossa Constituição.


Mas a Constituição também garante a assistência aos desamparados (Capítulo 2, Art. 6.°). E quem está trabalhando nisso, eu repito, não é nem o Estado e nem o setor privado. Quem está trabalhando nisso com muita força são as instituições cristãs.


Se a gente não olhar pra isso vai ser dureza.


Eu sou agnóstico. Não tenho religião.


Não tô aqui pra defender padres e pastores, mas a real é que existe uma demanda social que está nas mãos das instituições cristãs.


E é evidente que essas instituições querem e vão participar da Política, assim com maiúsculas.


E é evidente que essas instituições vão eleger cada vez mais representantes.


Não dá pra reduzir esse fenômeno, o crescimento da bancada da Bíblia, pontuando que existe charlatanismo dentro das igrejas, que existe muita gente enriquecendo com a fé do povo: não é só isso. Isso existe? Existe! Mas não é só isso que torna as lideranças religiosas cada vez mais fortes na política partidária.


Na campanha de 2018, Mano Brown subiu no palanque do PT e puxou a orelha da esquerda acadêmica dizendo que a esquerda precisava voltar para as bases. E precisa mesmo.


E quem está nas bases?


Pois é. Acho que não preciso repetir.


Não tem como defender Estado laico deixando tantas obrigações do Estado nas mãos de instituições religiosas.


E é fato que as lideranças cristãs, ao participarem como protagonistas diante de tantas mazelas da sociedade, vão querer espaço para debater as outras questões do Estado.

Com isso eu quero dizer algo delicado. Vou tentar ser muito simples: se a sociedade não estende a mão, se o Estado não ampara, a igreja vai lá e oferece a sua ajuda. Diante disso, é difícil querer que a igreja cuide das pessoas desamparadas, mas não possa opinar sobre aborto, legalização de drogas e etc.


É complexo.


Leia o texto de Felipe Betim clicando aqui.

0 visualização
 

©2020 por Wander B.. Orgulhosamente criado com Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now