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  • Wander B.

"VAI PRA VENEZUELA", FOI O QUE DISSERAM.

Desde que me entendo por gente, em toda eleição, nos debates, nas entrevistas, vejo os candidatos de centro-esquerda e esquerda deixando de mostrar seus planos de governo para comentar regimes autoritários de outros países.

Por anos desperdiçamos o tempo de bons candidatos com a insistência em tentar vincular qualquer pensamento de esquerda com o que acontece em Cuba e, ultimamente, na Venezuela.

Vivendo esse Brasil autocrático de Bolsonaro, já durante a pandemia da Covid-19, no dia 16/03 deste ano, Ciro Gomes foi entrevistado pelo Roda Vida que, mesmo diante do que estamos encarando começou a entrevista já com a conversa (mais uma vez ela) sobre a Venezuela. É uma das forma que se descobriu para demonizar a esquerda e ao mesmo tempo não deixar as candidatas e candidatos desse espectro mostrarem seus projetos de país. A tática funciona. Quantas vezes eu, que sempre repudiei de forma explícita os governos totalitários, fui atacado com os chavões "vai pra Cuba" ou "vai pra Venezuela". Nas últimas eleições, perdi as contas das vezes que escutei isso. Um tipo de frase que encerra o debate e inviabiliza qualquer possibilidade de se discutir inclusive o que uma pessoa de esquerda ou centro-esquerda pensa de fato sobre isso. Agora, a grande ironia do destino - que é mesmo trágico a todos que se negam a ver o óbvio - é que vivemos um cenário que não poderia ser mais parecido com o que aflige nossos vizinhos venezuelanos. Chegou uma boa hora, então, para relembrar a análise que eu faço sobre o quadro político da Venezuela. Colocar em palavras mais uma vez - quem sabe agora seja mais possível entender. Na Venezuela existe eleição, o que configuraria a princípio uma democracia. Mas as ações do governante não são democráticas. São totalitárias. Desrespeitam todos os princípios democráticos. Resumindo, existe um trâmite democrático (questionável) que elege um candidato que na prática age como um ditador. Bom, acredito que agora, depois de tantos e tantos anos tratando desse assunto, o brasileiro empirista tem a chance de entender esse tipo de quadro. E aqueles que foram às ruas para evitar que o Brasil se tornasse um país com esse tipo de configuração, acabaram elegendo justamente Bolsonaro: o homem que, em plena pandemia, decide esconder (e alterar) os dados sobre o Coronavírus. Poderia terminar esse texto brincando com a letra da música Haiti de Caetano e dizer: A Venezuela é aqui. Mas não vou terminar o texto assim. Vou terminar o texto pedindo a todos que passaram a eleição mandando amigos irem para a Venezuela, fazendo chacota, agredindo, sendo intolerantes, eu peço a vocês que fizeram isso e votaram em Bolsonaro que peçam perdão às pessoas que vocês ofenderam de forma gratuita e impensada. De minha parte, eu aceito os pedidos de perdão. A política se faz também com gestos assim. E que esse exemplo sirva para que possamos melhorar o nosso debate político, que é péssimo. Não quero revanche.

Não vou fazer chacota. Eu quero um país bom pra viver. Um país sem governantes com aspiração a ditador.

Um país sem Bolsonaro.

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