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  • Wander B.

VAMOS FALAR SOBRE PERDÃO?

Vivemos tempos tão bárbaros, que a tendência é que sejamos todos, em maior ou menor grau, contaminados pelo espírito do nosso tempo.


Assim, podemos acabar por reproduzir essa violência em nossos discursos e em nossas ações: o que é um movimento muito perigoso.


Não estou aqui querendo passar o pano para ninguém e nem vou citar nenhum caso específico, mas vejo que os linchamentos virtuais ganham cada vez mais força.


Vejo também que nessa espécie de tribuna virtual que resulta no aniquilamento de quem errou não há espaço para a palavra de defesa e nem para o pedido de perdão.


Pois bem, faço dessas minhas pequenas palavras uma abertura para uma articulação com a filosofia de Hannah Arendt.


Em "A condição humana", Arendt nos fala muito sobre a irreversibilidade da ação.


De fato, a ação é irreversível: uma vez que fizemos, não podemos voltar no tempo e desfazer - ou desdizer o que não deveria ter sido dito.


Essa é uma característica da ação. É irreversível e ponto.


Mas Arendt, no mesmo livro, no final do capítulo V - aos interessados -, vai dedicar boas páginas ao perdão.


A filósofa não faz isso em vão.


Arendt trata do perdão para reforçar a importância da ação dentro da vida humana.


A ação, o agir, é o que nos faz nascer para o mundo; é o que faz de nós capacidade de transformar o mundo.


Se uma pessoa é impedida de errar, ou seja, se não exercitarmos o poder de perdoar os erros - os alheios e também os nossos - nós encerramos as possibilidades de mudança no mundo.


Sem o perdão, a ação se encerra. Sem o perdão, a ação se limitaria, em última instância, em uma só ação - você joga uma carta, se você errar, você está fora do jogo pra sempre: eis um dos grandes perigos do nosso tempo!


Todos sabemos que não são poucas as cartas erradas que jogamos ao longo da vida. Nós sabemos, não?


Ao mesmo tempo sabemos que precisamos seguir vivendo e agindo.


Se é assim, então o perdão e a capacidade de perdoar precisam ser pensados e, sobretudo, exercitados.


PS.

Em tempos tão difíceis, recomendo profundamente a leitura de "A condição humana", de Hannah Arendt. Se você tá no corre da vida, eu entendo, vá ao capítulo V e dedique uns minutos de atenção. Nós precisamos melhorar as nossas relações. Precisamos pensar nisso tudo. Hannah Arendt pode nos auxiliar nesse movimento.

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